O perfeccionismo que aprisiona


"Antes de lutar pela perfeição, devemos ser capazes de viver como pessoas comuns sem automutilação”- C. G. Jung

E é por meio desta frase que quero começar o tema de hoje. Tenho percebido em muitas pessoas a constante cobrança que impõem a si mesmas para atingirem o estado de autossatisfação e, não raro, acabam trilhando o doloroso e ilusório caminho em busca da perfeição.


Acreditar que algo pode ser feito de uma melhor maneira ou que é possível dar mais de si mesmo numa determinada tarefa pode ser muito benéfico para o indivíduo, pois o estimula a pensar e agir de maneira equilibrada, saudável e criativa.


Entretanto, quando o indivíduo passa a vivenciar a busca pelo perfeccionismo podemos perceber o quanto essa crença torna a vida mais estressante e menos produtiva. Acreditar que é possível atingir a perfeição é uma grande armadilha que causará feridas profundas.



Como é uma pessoa perfeccionista?


Geralmente o perfeccionista se vê prisioneiro do intenso desejo de agradar o outro, passar uma boa imagem, do medo de ser julgado, da busca incansável pelo sucesso e reconhecimento. Com a baixa tolerância à frustração, experimentam os efeitos colaterais negativos da demanda pessoal por excelência, tornando-se pessoas extremamente exigentes consigo mesmas e com os outros, muitas vezes envolvendo-se em relacionamentos conturbados e sofrendo com oscilações de humor.


Acreditam que precisam ser fortes e ter o controle de tudo o tempo todo, mas diante de tantas tarefas e responsabilidades auto impostas, podem surgir dificuldades de dar conta e o medo de errar e ser descoberto e/ou julgado, surgindo os sintomas de ansiedade, estresse, pânico ou depressão. Por mais que os perfeccionistas compreendam que seus elevados padrões lhe causam prejuízos, ficam apreendidos na ideia de que esta é a única maneira de conseguir atingir seus objetivos.


Nesses casos vivenciam os sentimentos e acontecimentos do mundo em seus extremos, como: sucesso x fracasso; acertar x errar; amar x odiar; poder x submissão. A pessoa que busca o perfeccionismo não compreende que a vida acontece num imenso leque de possibilidades que estão muito além dessas polaridades. Por isso, podem ir até as últimas consequências quando acreditam numa maneira correta de ser ou agir, mesmo que signifique trazer para si grandes prejuízos.


Outra característica importante que se faz presente em quem busca a perfeição é a dificuldade de se abrir com os outros e falar dos próprios sentimentos, pois acredita que demonstrar suas dificuldades e falhas a deixará mais vulnerável e com maiores chances de ser enganada ou passada para trás.


O sofrimento nesses casos está presente de forma tão intensa que a pessoa não percebe que o medo da crítica e/ou do erro a impede de buscar ajuda e a transformação do que está lhe causando tanto mal. Passa todo o tempo sentindo-se culpada por algo e se preparando para atacar ou se defender, sempre preocupada com a maneira de se portar ou como e o que vão falar, não conseguindo agir de maneira natural e descontraída. É como se qualquer falha, por menor ou mais irrelevante que seja, atestasse a sua incapacidade pessoal, devastando-a emocionalmente. O que a faz acreditar que precisa ser ainda mais rígida consigo mesmo, mantendo-se assim num processo cíclico muito doloroso.



Procure ajuda


Neste sentido, a busca por ajuda psicológica pode se apresentar como um fator determinante para o rompimento deste ciclo. O processo terapêutico acontece por meio de técnicas que ajudarão a pessoa a lidar de forma benéfica com o erro e com as frustrações, aceitar as diferenças e encontrar outras maneiras de realizar atividades.


Por meio da psicoterapia, a pessoa terá a oportunidade de entender os erros como inerentes à vida, compreendendo-os como uma oportunidade de crescimento e de aprendizagem, construindo assim uma vida mais saudável, tranquila e equilibrada.

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